- Meus senhores e minhas senhoras, eu não sou daqueles que...
E empacou o discurso do primeiro trabalho do ano na primeira frase. Esse seria irrefutavelmente o tipo de trabalho em que o empenho geral dos alunos é efetivamente promissor. Silêncio na plateia. O orador representante de classe, não sabia se ele não era “daqueles que diz” ou “daqueles que dizem”. E agora? Pensou um pouco, já nervoso diante de todos os subordinados, e retomou:
-Meu senhores e minha senhoras, eu não sou daqueles que...
De novo. O suor começou a se alastrar por seu corpo angustiado. Suas mãos aplainaram seus cabelos sedosos, enquanto sua face tentava transparecer serenidade.
Lançou um sorriso de canto, enquanto todos da escola esperavam a palavra do alento aluno.
-Meus senhores e minhas senhoras, enfim, eu não sou daqueles!!!
E terminou com apenas esta frase o seu discurso, ovacionado. O representante de classe, enfim, não era daqueles! Que alívio.
Desceu do palco, as mãos dentro do bolso de sua calça jeans rasgada. Era o exato perfil do aluno “brilhante”. Seu sorriso acanhado ressaltava seus olhos pretos. Sua feição pálida foi ao encontro das palmas forçadas dos professores sentados a sua frente.Nem um sorriso. A não ser é claro, do próprio aluno.
Jonatas, o funesto que lecionava física (e não pense que digo isto pelo motivo de metade da escola repugnar sua matéria, mas sim, pois este desprezível ensejou uma terrível desavença entre mim e... bom, espero poder completar a conjuntura mais adiante)
- Não achei assim tão péssimo, meus pequenos votos de parabéns senhor Henns.
Sua mão albina posicionou-se em direção ao aluno para cumprimentá-lo. O sorriso do professor não era compatível a sua maneira de proferir os fatos. Quero dizer, ele era exatamente o perfil do “Puxa saco” odiado em uma escola. Coitado.
-Obrigado. Foram as curtas palavras balbuciadas por André,o aluno “brilhante”.
Cumprimentou o professor de maneira tão involuntária que era notória a simulação de “professor, o seu grande amigo.”
Os demais companheiros acadêmicos de Jonatas, levantaram-se logo que notaram que seriam obrigados a dar os parabéns (e digamos, que parabéns! Sim, meu descomunal sarcasmo prevalece em grande parte de meus comentários acerca do querido senhor Henns).
- Que porcaria foi essa?! Uma voz estrídula, contrária à razão e ao senso comum, disparou por detrás das cortinas que compunham o palco.
Seus cabelos castanhos, e seus gestos e olhares inexoravelmente infantis, produziam um complexo ser humano de aparência ímpar.
- Aposto que você não iria se sair melhor. Delineou um sorriso constrangido em sua face aparatosa. Bagunçou os cabelos, os atirando para o lado. Era perceptível que André Henns, alardeava uma exterioridade que almejava emanar mérito.
Arqueou a sobrancelha esquerda, ignorando por completo as palavras balbuciadas por André, e foi ao encontro de seu namorado, aquele parvo do César.
Eu não entendia como duas almas fátuas tão jovens, podiam ser tão mal instruídas ao ponto de se apaixonarem uma pela outra. É claro, não posso dizer que ambos não possuam aspectos que os auxiliem a permanecer unidos, aliás, para ser mais rigoroso um único aspecto: a babaquice.
Seus ditosos passinhos se dirigindo ao seu namorado, me causavam repugno. Toda aquela ventura teria de ter um fim, e torço eu para que seja breve.
- Você tem que parar de andar assim. Parece uma gaivota saltitante, é nada a ver, saca?
César encolheu as mãos dentro do bolso de sua calça jeans, e ajeitou os cabelos atirando-os para o lado. Era notório que, praticamente todas aquelas retardadas do primeiro colegial, cuja idade mental não passava dos três anos, eram inteiramente e vivamente apaixonadas por aquele pacóvio designado César.
Exasperava-me ver tão ignorante cidadão, portador de um nome que desempenhou um papel extremamente considerável para a História. É completamente infrutuoso comparar um grande militar e estadista romano, pertencente a uma antiga família de patrícios a um completo ignorante aluno do terceiro ano do ensino médio.
- Como você é grosso... Cruzou os braços, se afastando de César, que trocava piscadinhas com algumas garotas sentadas no banco verde-limão do colégio.
-Olha só isso, ele piscou para mim! E estapeou duas de suas amigas sentadas ao seu lado, enquanto agitava as mãos para o ar, em forma de satisfação.
André, que agora circulava pelas cadeiras e bancos da escola, aguardava um impetrante parabéns, pelo seu “maravilhoso” trabalho do ano.
Eu sabia muito bem que algo monstruoso me aguardava. Não me perguntem o que seria, pois só de imaginar uma suposta resposta, meu estômago se revira, e meus olhos ardem de raiva. Como se eu fosse portador de uma doença virulenta, transmissível dos animais ao homem, caracterizada por fenômenos de excitação, e seguida de paralisia, e finalmente da morte. Queria eu estar morto, antes mesmo que esse desastre pudesse acontecer.
domingo, 27 de junho de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
03. Lembranças
O estampido som da porta dos fundos fez-me despertar de forma definitiva. Atirei o coberto de penas de ganso sobre a cama, o deixando a meio milímetro de uma queda. Saltei lestamente dessa, aplainando meu cabelo castanho-chocolate, que neste exato momento possuía um aspecto indecoroso. Não que esse obstinado possuísse um semblante donairoso, porém essa madeixa nunca esteve tão abominável.Meus olhos azuis percorreram meu lúgubre quarto a procura do par de pantufas de meu avô. Onde essas infaustas estavam? Enfadei-me, dirigindo a porta ausente daquelas que me acompanhavam todas as manhãs para realizar minhas atividades matinais.Possivelmente seria dona Eleanor que se atrasara como de costume, e para completar sua indolência, esquecera de fechar passivamente a porta dos fundos. Pois é patente que quando nos falta um lapso do tempo nosso corpo reaja de maneira incoerente ao nosso cérebro, manifestando ações inoportunas.Abri pausadamente a porta de meu quarto, barulhos inopinados como esse me causavam desconforto.Observei diligentemente o corredor, nada de novo. Provavelmente seria a própria doméstica. Como essa procrastinada poderia ser tão negligente?
- Preciso de minhas camisas, há tempo as aguardo. Bradei, espreitando uma resposta. O silêncio manteve-se.
Um sentimento estranho apoderou-se de meu corpo. Atônito, sim, essa era a melhor palavra capaz de expressar meu estado naquele momento. Um flash perpassou por minha mente, vi-me afogado pelas lembranças. Apoiei-me sobre a porta, meus braços trêmulos privaram-se de força. Uma lágrima funesta escorreu-me sobre as faces pálidas. Como era tolo, chorar assim sem motivo algum. Levei as mãos ao rosto, enxugando-as paulatinamente. Deslizei sobre a porta lentamente, até sentir o chão sobre meu corpo. Afaguei os cabelos, deixando todo meu rosto à vista. Nem um fio daquela madeixa o cobria. Os soluços tomavam conta de mim, deixei-me levar pelos pensamentos. Fechei os olhos.
- Nicolas, saia daqui, AGORA!Ela me empurrou com tal brutalidade, que me afastei bruscamente de meu local de origem. Senti meus braços trêmulos, minha boca seca. Meus olhos ardiam, eu não iria chorar isso seria tolice. Minha postura continuava estável, evidenciava uma imagem serene, como se tudo estivesse normal. Talvez assim ela me deixasse ali, talvez não me expulsa-se.O estrondoso som da porta dos fundos fez-me correr até ela. Abracei-a, nada poderia acontecer, estávamos juntos, e eu cuidaria dela.
- Nicolas eu disse para sair daqui! Por favor, saia! Renegou-me o abraço, empurrando-me com mais brutalidade. Eu sabia que ela queria me proteger, mas eu pressentia que deveria ficar.A porta do quarto se abriu como um tiro. Voltei-me até ela, agarrei sua cintura, não a deixaria, nunca!
- Tire o pirralho daqui. Ele não precisa participar do nosso show.
Meus olhos emaranharam-se de lágrimas. Um sentimento de repugnância invadiu meu corpo. O ruído do relógio parecia marcar os poucos segundos de vida que restariam para minha mãe.
- Me deixe Fábio! Eu já disse, pode levar tudo, pegue o que quiser! Sua voz enredava-se com seu choro. Ela me abraçou. Pela última vez senti o calor de seu corpo sobre o meu. Pela última vez pude sentir seu cheiro, pela última vez a vi.
- Eu disse para tirar esse desgraçado daqui! Fábio puxou-me com extrema violência atirando-me contra a parede. Meu corpo gélido estremeceu, enquanto as lágrimas invadiam meu rosto pálido.
- Não toque nele! A voz de minha mãe ecoou pelo quarto. Quem não a conhecesse como eu, poderia dizer que era uma mulher destemida.
- Não me diga o que fazer! Fábio avançou até mim. Seus olhos escuros fitavam-me de maneira pungente. Ergueu-me pelo colarinho da blusa, eu parecia ser seu grande inimigo em um campo de batalha no qual seria patente a minha triunfa.
- Eu disse SUMA daqui, você me entendeu? Eu podia sentir sua respiração embaçar meus olhos úmidos, seu hálito fétido provocava-me intenso mal-estar.
- Se você me soltar... Respondi ao mesmo nível de arrogância. Minha voz trêmula tentava ganhar autoridade no meio da discussão. Mas que escárnio imaginar isso, obviamente um menino de sete anos como eu jamais triunfaria sobre um homem de trinta e dois.
- Indolente! Eu deveria matá-lo! Chacoalhou-me, respondendo entre dentes.
- Chega! Solte-o AGORA, AGORA! Minha mãe avançou sobre o homem que me segurava, suas mãos tentavam me libertar daquele sufoco. Um tiro findou a cena. Meus olhos se fecharam, apenas escutava o grito pusilânime de minha mãe. Tapei os ouvidos, eu queria fugir, não queria mais escutar aquilo, eu não queria!Abri os olhos por entre minhas mãos, Fábio já não estava mais ali. Ninguém mais estava.Deite-me sobre o corpo daquela que me viu nascer. Tudo ficaria bem, eu sabia disso.
- Preciso de minhas camisas, há tempo as aguardo. Bradei, espreitando uma resposta. O silêncio manteve-se.
Um sentimento estranho apoderou-se de meu corpo. Atônito, sim, essa era a melhor palavra capaz de expressar meu estado naquele momento. Um flash perpassou por minha mente, vi-me afogado pelas lembranças. Apoiei-me sobre a porta, meus braços trêmulos privaram-se de força. Uma lágrima funesta escorreu-me sobre as faces pálidas. Como era tolo, chorar assim sem motivo algum. Levei as mãos ao rosto, enxugando-as paulatinamente. Deslizei sobre a porta lentamente, até sentir o chão sobre meu corpo. Afaguei os cabelos, deixando todo meu rosto à vista. Nem um fio daquela madeixa o cobria. Os soluços tomavam conta de mim, deixei-me levar pelos pensamentos. Fechei os olhos.
- Nicolas, saia daqui, AGORA!Ela me empurrou com tal brutalidade, que me afastei bruscamente de meu local de origem. Senti meus braços trêmulos, minha boca seca. Meus olhos ardiam, eu não iria chorar isso seria tolice. Minha postura continuava estável, evidenciava uma imagem serene, como se tudo estivesse normal. Talvez assim ela me deixasse ali, talvez não me expulsa-se.O estrondoso som da porta dos fundos fez-me correr até ela. Abracei-a, nada poderia acontecer, estávamos juntos, e eu cuidaria dela.
- Nicolas eu disse para sair daqui! Por favor, saia! Renegou-me o abraço, empurrando-me com mais brutalidade. Eu sabia que ela queria me proteger, mas eu pressentia que deveria ficar.A porta do quarto se abriu como um tiro. Voltei-me até ela, agarrei sua cintura, não a deixaria, nunca!
- Tire o pirralho daqui. Ele não precisa participar do nosso show.
Meus olhos emaranharam-se de lágrimas. Um sentimento de repugnância invadiu meu corpo. O ruído do relógio parecia marcar os poucos segundos de vida que restariam para minha mãe.
- Me deixe Fábio! Eu já disse, pode levar tudo, pegue o que quiser! Sua voz enredava-se com seu choro. Ela me abraçou. Pela última vez senti o calor de seu corpo sobre o meu. Pela última vez pude sentir seu cheiro, pela última vez a vi.
- Eu disse para tirar esse desgraçado daqui! Fábio puxou-me com extrema violência atirando-me contra a parede. Meu corpo gélido estremeceu, enquanto as lágrimas invadiam meu rosto pálido.
- Não toque nele! A voz de minha mãe ecoou pelo quarto. Quem não a conhecesse como eu, poderia dizer que era uma mulher destemida.
- Não me diga o que fazer! Fábio avançou até mim. Seus olhos escuros fitavam-me de maneira pungente. Ergueu-me pelo colarinho da blusa, eu parecia ser seu grande inimigo em um campo de batalha no qual seria patente a minha triunfa.
- Eu disse SUMA daqui, você me entendeu? Eu podia sentir sua respiração embaçar meus olhos úmidos, seu hálito fétido provocava-me intenso mal-estar.
- Se você me soltar... Respondi ao mesmo nível de arrogância. Minha voz trêmula tentava ganhar autoridade no meio da discussão. Mas que escárnio imaginar isso, obviamente um menino de sete anos como eu jamais triunfaria sobre um homem de trinta e dois.
- Indolente! Eu deveria matá-lo! Chacoalhou-me, respondendo entre dentes.
- Chega! Solte-o AGORA, AGORA! Minha mãe avançou sobre o homem que me segurava, suas mãos tentavam me libertar daquele sufoco. Um tiro findou a cena. Meus olhos se fecharam, apenas escutava o grito pusilânime de minha mãe. Tapei os ouvidos, eu queria fugir, não queria mais escutar aquilo, eu não queria!Abri os olhos por entre minhas mãos, Fábio já não estava mais ali. Ninguém mais estava.Deite-me sobre o corpo daquela que me viu nascer. Tudo ficaria bem, eu sabia disso.
quarta-feira, 31 de março de 2010
02. Aos reis, meus pêsames.
O vento seco e gélido perpassou pelo meu ouvido direito. Uma sensação desconfortável pairou sobre meu corpo, algo estava errado. Um feixe de luz invadiu meu fúnebre quarto, iluminando um terço de minha face. Meus olhos azuis anil, frágeis por serem claros, ou por qualquer motivo simplório, abriram-se tão lentamente, que penso que uma useira tartaruga seria capaz de fazê-los com mais agilidade. Que tolice, desde quando um animal oposto à razão, de caráter tão insignificante faria algo mais prestativo que um ser pensante. Nunca! Esses bichos insuportáveis merecem a cessação definitiva da vida, só servem para nos molestar.Não pergunte o porquê de possuir um gato, já que me repugno a qualquer tipo de animais domésticos. Aliás, já que estamos falando de seres provindos do demônio, que terminemos logo este assunto turbulento.James, meu gato de raça Chartreux, reconhecido e admirado na França pela sua pelagem de textura e cor únicas, é a amaldiçoada herança de minha irmã Claire. Esta franzina ao completar vinte anos mudou-se para Boston, ausentando-se assim de seu cultuado gato. Esse legado indesejável foi conduzido para mim, um caipora desditoso. Ao menos, orgulho-me de ser opulento, fato que me aguilhoa a viver.Contudo, James, o malquisto, atormenta-me durante todas as horas, minutos e segundos. Pelo simples motivo de viver.É óbvio que se pense: “atire esse gato no inferno, já que o menospreza tanto!”. Porém, esse enviado é de suma importância para Claire, seria inapto a atirar James por qualquer abertura que se encontre entre paredes, ou até mesmo na própria parede. Este último seria mais interessante.
Não pergunte o porquê de Claire ter se apartado do gato, não estou aqui para compor um “quiz” sobre minha vida. Meus olhos, paulatinamente abriam-se. Os feixes de luz cada vez mais se infiltravam sobre eles, eu ainda me encontrava em estado de dormência. Meus cabelos castanho-chocolate, uma cor um tanto incomum, só não diga: “a, é essa a exata cor de meus airosos cabelos” que já me cresce uma colossal vontade de exterminar qualquer bípede.Pois era sempre assim. Durante minha encantadora juventude, sim estou sendo sarcástico, tudo o que me diferenciava dos demais era comum para minha pancrácia professora de História. Aquela maligna, possuo uma aversão infindável por ela. Por favor, não questione o motivo pelo qual a desprezo, isso com certeza não irá fazer a mínima diferença para seus momentos de atividade imanente como ser organizado. Para ser mais simples, visando àqueles que por circunstâncias adversas são totalmente iletrados, não fará diferença nenhuma para a vida de cidadão qualquer o motivo pelo qual menosprezo aquela pancrácia infausta, sim, a professora de história.Desculpe-me pela insistência ao explicar minhas pronuncias, apenas cumpro meu papel, ser bem compreendido.Um efeito estranho perpassou pelo meu corpo, como se uma corrente elétrica atravessasse uma parte dele, a qual foi responsável pela contração convulsiva de meus músculos, além de despertar-me de meu estado de dormência. Uma sensação estranha, semelhante à de um choque. Despertei ligeiramente, e como não ser veloz depois desse impróprio acontecimento?. Meus olhos azuis vagaram pelo quarto, como uma ave vooa sem a necessidade de dirigir-se a um determinando local. Sem rumo, sem pressa, sem responsabilidade. Desta queria eu estar livre, e viver como um animal irracional. Sou constantemente inábil, como proferir algo a esse nível de imperícia? Os seres humanos são o puro exemplo da irracionalidade e da inutilidade. Sinto-me aborrecido quando inicialmente mencionei a incapacidade dos animais irracionais, esses são tão opostos a razão quanto nós. Somos movidos pelo mundo globalizado, o qual limita e destroi nossa visão crítica. Esse é o nosso mundo atual, um mundo no qual a mídia é o quarto poder, e nós somos os servos do capitalismo.Lastimável vida, enquanto pensamos que somos reis, somos apenas os parvos de um inferno que denominamos mundo. De fato, algo estava errado, algo estava muito errado.
Não pergunte o porquê de Claire ter se apartado do gato, não estou aqui para compor um “quiz” sobre minha vida. Meus olhos, paulatinamente abriam-se. Os feixes de luz cada vez mais se infiltravam sobre eles, eu ainda me encontrava em estado de dormência. Meus cabelos castanho-chocolate, uma cor um tanto incomum, só não diga: “a, é essa a exata cor de meus airosos cabelos” que já me cresce uma colossal vontade de exterminar qualquer bípede.Pois era sempre assim. Durante minha encantadora juventude, sim estou sendo sarcástico, tudo o que me diferenciava dos demais era comum para minha pancrácia professora de História. Aquela maligna, possuo uma aversão infindável por ela. Por favor, não questione o motivo pelo qual a desprezo, isso com certeza não irá fazer a mínima diferença para seus momentos de atividade imanente como ser organizado. Para ser mais simples, visando àqueles que por circunstâncias adversas são totalmente iletrados, não fará diferença nenhuma para a vida de cidadão qualquer o motivo pelo qual menosprezo aquela pancrácia infausta, sim, a professora de história.Desculpe-me pela insistência ao explicar minhas pronuncias, apenas cumpro meu papel, ser bem compreendido.Um efeito estranho perpassou pelo meu corpo, como se uma corrente elétrica atravessasse uma parte dele, a qual foi responsável pela contração convulsiva de meus músculos, além de despertar-me de meu estado de dormência. Uma sensação estranha, semelhante à de um choque. Despertei ligeiramente, e como não ser veloz depois desse impróprio acontecimento?. Meus olhos azuis vagaram pelo quarto, como uma ave vooa sem a necessidade de dirigir-se a um determinando local. Sem rumo, sem pressa, sem responsabilidade. Desta queria eu estar livre, e viver como um animal irracional. Sou constantemente inábil, como proferir algo a esse nível de imperícia? Os seres humanos são o puro exemplo da irracionalidade e da inutilidade. Sinto-me aborrecido quando inicialmente mencionei a incapacidade dos animais irracionais, esses são tão opostos a razão quanto nós. Somos movidos pelo mundo globalizado, o qual limita e destroi nossa visão crítica. Esse é o nosso mundo atual, um mundo no qual a mídia é o quarto poder, e nós somos os servos do capitalismo.Lastimável vida, enquanto pensamos que somos reis, somos apenas os parvos de um inferno que denominamos mundo. De fato, algo estava errado, algo estava muito errado.
domingo, 28 de março de 2010
01. Paranoia
Aquela manhã de março despertou como todas as outras. Os mesmos ruídos de James assolando meus ouvidos. Sim, meu gato costumava me acordar pontualmente as cinco e quarenta e dois. Não me pergunte o porquê dessa exatidão, mas minhas manhãs eram extremamente rigorosas. O sol não ultrapassava as cortinas verde-púrpuras do meu quarto. Isso era bom, não gostava de luminosidade clareando meus olhos azuis anil. Talvez fosse pelo fato de serem claros assim, mais sensíveis. Mas isso não vem ao caso. Abri um olho, depois o outro. Rigorosamente. James continuava com seus ruídos incessantes, já havia me acostumado. Enfim, desenrolei-me do pesado cobertor de penas de ganso, era de minha avó Gertrudes, a qual morrera de gripe asiática. Foi uma partida agradável, possuía uma aversão terrível por ela. Se bem, que ao menos o cobertor me foi útil. Calcei o par de pantufas de meu avô, este também havia partido em companhia de Gertrudes. Aliás, cometo um grave equívoco. Meu avô sempre me fazia companhia nos dias mais insignificantes de minha vida. Aqueles que você sente que não é nada, nem um mísero grão de pó. Por favor, não pensem que sou insensato, sou apenas desigual aos demais.Meu sobretudo estava em algum lugar, só não sabia onde. Vaguei meus olhos pelo quarto. Mas que escuridão desditosa!Jamais o encontraria. Às vezes passava-me pela cabeça a ideia de converter a cor de minha cortina, mas isso me tomaria muito tempo. E por favor, também não pensem que não as troco por ausência monetária, possuía uma quantia infindável de riquezas. Herança de meus tios, que Deus os tenha. - Desisto! Grunhi arqueando uma de minhas sobrancelhas, que precisavam de um retoque urgente. Não que as fizesse corriqueiramente, porque seria uma mentira absurda proferir isto. Enfim, caminhei até o banheiro, ausente de meu sobretudo e com uma terrível enxaqueca. Esta desprezível sempre aparecia! Era só não achar algo que ela ali estava pronta para abater meus dias desafortunados.O relógio de corda acionou sua engrenagem ruidosa, os ponteiros marcavam exatamente seis horas. James deveria ter se assustado, pois havia findado seus ruídos detestáveis. Mas este estava mais para um produto híbrido resultante do cruzamento da égua com o jumento. Aquele deplorável gato ainda não havia se habituado ao despertar do relógio.Escovei apressadamente os dentes, não podia me atrasar, não, não podia! Só de pensar meu estômago se revirava, era a exata sensação de uma refeição mal digerida. Pronto, já poderia me ausentar da higiene matinal. A, mas é claro. Meu cabelo estava horrendo! E meu pente estava oculto de meu campo de visão. Para que perder meu tempo o procurando? Não podia me atrasar.Balancei a cabeça a fim de endireitar os fios rebeldes que se infiltravam sobre meus olhos. E onde estavam àquelas malditas camisas sociais. Dona Eleanor deveria tê-las posto bem aqui, aqui! E elas simplesmente não estavam. Eu já não sabia o que se passava pelo crânio de pessoas ausente de cérebro. Como sou tolo, obviamente nada! Estas miseráveis pessoas funcionam como um robô, ou até pior. Se algo é mudado, já não servem mais para nada. Abri a gaveta enferrujada, desprovida do necessário. Só não perguntem o que seria o necessário, não estou aqui para atender as fúteis inevitabilidades de cidadãos quaisquer.Nada que me agradasse nessa inútil gaveta. Para que um ser humano compra gavetas, se nada existe para guardar nelas? Mas como sou tolo! Não compramos gavetas, compramos cômodos, mais especificamente um armário. Encolerizo-me novamente, para que tantas explicações? Quem não for capaz de compreender que se ausente da leitura. Sei bem que não sou uma pessoa digna de ser adorada, mas também, para que a seria? De nada me serve as escusadas atenções de tolos que se consideram alguém neste mundo desarrazoado. Apanhei o relógio de pulso que se localizava sobre minha disforme escrivaninha. Amaldiçoado o seja! Este perverso havia parado de funcionar. Exatamente no dia que precisamos de nossos bens materiais, eles se arrendam. Jamais seria capaz de sediar uma palestra ausente de meu querido relógio de pulso. Não iria mais, estava decidido. Atirei-me sobre a cama, e enrolei-me no cobertor de penas de ganso. Agora estava tudo bem, sim,agora estava.
Assinar:
Postagens (Atom)